Algumas histórias

 


Apesar da ausência de um guru externo, Nirmala não estava, de maneira alguma, sem orientação espiritual. O seu Kheyal, ou Guia Interior, direcionava o curso da sua vida.(...) As centenas de histórias sobre o Kheyal de Anandamayi Ma são lendárias.

Por exemplo, uma noite, no meio de um kirtan (cântico religioso), Nirmala se levantou e saiu andando rapidamente para fora da casa. Dois devotos correram atrás dela, perguntando para onde estava se dirigindo.

Sarnath - respondeu ela.

Sarnath ficava a muitas milhas de distância.

 - Por que voce está indo esta noite? quiseram saber os devotos. - Não há nenhum trem para Sarnath a esta hora!

Nirmala continuou em ritmo apressado até a estação ferroviária. A seu pedido, um devoto comprou um bilhete para o trem postal que passaria perto de Sarnath, mas que não estava programado para parar lá. Nos arredores de Sarnath, o trem parou inexplicavelmente. Nirmala e os seus dois entontecidos devotos saltaram.

 - Qual o caminho para o Hotel Birla? - perguntou ela.

 Eles não tinham a menor idéia. Ela continuou andando vigorosamente, com o seu minúsculo séquito correndo para acompanhar.

 O hotel surgiu e os tres entraram apressadamente. Nirmala ignorou o hoteleiro e se dirigiu diretamente para um quarto. Quando eles se aproximaram, os devotos escutaram uma mulher gemendo dentro do quarto. Nirmala bateu com força na porta dizendo:

 - Está tudo bem! Estou aqui!

 A porta se abriu e os devotos ficaram surpresos ao ver Maharattan, uma condicípula. Maharattan tinha chegado poucas horas antes em Sarnath. Estava desamparada e sem dinheiro, e, desde então, tinha estado chamando por Anandamyi Ma.

 Nirmala passou o resto da noite caçoando de Maharattan.

Indubitavelmente, esta experiência curou a agradecida devota de qualquer ansiedade durante algum tempo! (....)

Em 1955, quando o juiz distrital de Vindhyachal soube que Anandamayi Ma estava visitando a sua área, correu para ter o seu darshan (a benção de ver um santo em pessoa).

Ma parecia estar esperando por ele, e levou-o para a varanda. Apontando para o jardim embaixo, ela instruiu:

- Deuses e deusas estão por aí, debaixo da terra. Eles me disseram que é muito cansativo ficar enterrado e que gostariam de ser retirados. Voce pode ajudá-los?

Imediatamente o juiz reuniu um grupo de trabalho e começaram a cavar. Penetrar na rocha sólida era um trabalho árduo.

No segundo dia, o grupo estava cheio de irritação, questionando se o juiz tinha perdido a razão. No terceiro dia, eles descobriram duzentas primorosas estátuas antigas enterradas na lama.

 Anandamayi Ma era abraçada não apenas pelas pessoas simples, mas também pelos maiores intelectuais, santos e políticos da India, incluindo Mahatma Gandhi, que se encontrou com ela em 1942, e Indira Gandhi, que a admirava desde a infância.

 Quando o maior intelectual da India, Gopinatha Kaviraj, visitou Ma, as respostas às suas questões filosóficas de difícil compreensão que esta mulher sem educação formal instantaneamente ofereceu, o surpreendeu tanto que ele se mudou para o ashram dela, onde passou o resto de sua vida.
 

 A estima por Anadamayi Ma se refletia nos acontecimentos que cercavam as suas aparições nos Kumbha melas da India, feiras religiosas que atraíam milhões de peregrinos, incluindo os dirigentes de muitas das principais instituíções religiosas indianas. A rivalidade entre os vários líderes religiosos é famosa e, às vezes, infelizmente, tempera as melas com intolerância, ao invés de com o espírito de harmonia que as feiras pretendem promover.

Na última década da vida de Ma, parecia só haver uma única coisa com a qual os dignitários religiosos no kumbha mela concordavam: todos iam à barraca de Ma para se curvarem reverentemente diante da mulher idosa cuja santidade era tão plenamente evidente que até mesmo o mais rancoroso deixava o seu egotismo, junto com as suas sandálias, do lado de fora da porta. Brâmanes inimigos apareciam pedindo a Ma que arbitrasse as suas disputas; após alguns minutos em sua silenciosa e luminosa companhia, os argumentos enfraqueciam e eles podiam sair da barraca sorridentes e se abraçando.

Foi ali que Ma finalmente foi reconhecida como a Mãe Universal; a santa cuja compaixão não conhecia barreiras de casta, credo ou nacionalidade; a santa diante da qual todas as pessoas, independente da sua formação, reverenciavam a serenidade.

 

O encontro de Paramahansa Yogananda com Ma, como descrito no seu clássico Autobiografia de um Iogue, foi a primeira apresentação de Anandamayi Ma para muitos ocidentais.

 

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