Desde os primórdios da história, mulheres notáveis como Arundhati (cerca de 4000 a.C) são saudadas pelos próprios Vedas como esposas e mães que alcançaram a compreensão do Eu enquanto limpavam suas casas e educavam suas crianças.Um exemplo notável é Anasuya Devi, nascida em Andhra pradesh, em 1923.Desde a mais tenra infância, as observações astutas de Anasuya sobre questões espirituais - mesmo sobre assuntos tão recônditos como a mantra shastra (a ciência dos mantras) - surpreendiam os seus parentes mais idosos; ela parecia um prodígio espiritual.Sem ser uma asceta que renuncia ao mundo, Anasuya ficou feliz em se casar. Com dezoito anos, deixou os seus abastados pais brâmanes para seguir com o marido que eles lhe haviam escolhido, Nannagaru Rao, e alegremente começar a constituir uma família na pobre cidade de Jilellamudi, no Sul da India.Permaneceria profundamente devotada a Nannagaru (cujo interesse pela espiritualidade era significativamente menor do que o dela) por toda a sua vida.Anasuya tinha vinte e seis anos quando encontrou a sua "guru", Desiraju Rajamma, uma mestra tanto da filosofia vedântica quanto da prática tântrica, que morava em Bapatla. (...........)Entretanto, durante a iniciação, Rajamma ficou tão impressionada com a profundidade da compreensão de Anasuya que pediu a um fotógrafo que tirasse uma foto das duas juntas, para que ela pudesse ter uma recordação desse primeiro encontro com a sua "discípula"!- Que mulher notável voce é! exclamou a pretendida guru.- Eu sou a mulher que deu voce à luz e voce é a mulher que me deu à luz - replicou Anasuya. - Quem é a mãe e quem não é a mãe? A verdadeira maternidade não consiste no simples reconhecimento da própria maternidade de alguém. A maternidade deve ser percebida em todas as coisas.Como reconheceu Rajamma, Anasuya estava se referindo à maternidade de Deus. Meditando desde a infância, Anasuya já tinha descoberto a Mãe Universal em si mesma e em todos os seres.Enquanto Nannagaru desempenhava suas funções de prefeito, Anasuya organizava um banco de cereais para ajudar a alimentar os pobres. No início da década de 1950, começou a se espalhar pelas aldeias da vizinhança que um "ser divino" morava em Jillellamudi, e os devotos começaram a aparecer na casa de Anasuya, que logo foi apropriadamente rebatizada de O Lar de Todos. Inicialmente Nannagaru ficou incomodado com toda a atenção que a sua esposa estava atraindo e, em determinado momento,convocou um médico para examiná-la.Enquanto Anasuya sentava-se sorridente à sua frente, o médico foi incapaz de localizar uma pulsação em qualquer lugar do corpo dela.- Encontro mais yoga (união com Deus) do que roga (doença) nela - declarou o médico, com bom senso suficiente para diagnosticar sahaja samadhi (concentração meditativa profunda, enquanto se movimenta em estado de vigília).Depois disso, Nannagaru começou a chamar Anasuya de a "Mãe de voces", em vez de a "minha esposa", quando os devotos apareciam para ve-la.A certa altura, Anasuya notificou ao Dr. Sitachalam, de Kommur, que ela partiria em uma viagem de onze dias. Poderia ele fazer o favor de cuidar do corpo dela e garantir que ninguém o removeria? O médico estava presente quando ela "partiu". O seu batimento cardíaco e a sua respiração cessaram e o seu corpo se enrijeceu, ficando com uma palidez cinza-azulada.No quarto dia, a sua atormentada família estava pronta para cremá-la, mas o médico insistiu ansiosamente para que adiassem.No décimo primeiro dia, a cor voltou às suas bochechas e ela se ergueu do seu catre para reassumir os seus afazeres domésticos.No tantra shaivite, o estado mais elevado de consciência pura e genuína (shiva, a suprema Devindade) é, simultaneamente, a consciencia/poder transbordante (Shakti, a Deusa primordial) que se manifesta como o Universo e todos os seus habitantes. Anasuya vivenciou Shakti diretamente e falou sob a perspectiva da união mística com a Mãe do Universo: (......)"Eu não sou nada que voces não sejam. Não me parece que eu seja maior do que voces. Deus não existe em parte alguma separadamente. Todos voces são Deus."Não está correto dizer "Mãe do Universo". O universo em si é a mãe. Voces não podem abandonar nunca o meu regaço".Anansuya não estava absolutamente interessada em ser venerada e nem em prescrever práticas espirituais a serem seguidas por seus devotos. Não havia nada que eles devessem "fazer"; deviam simplesmente "ser". Ela vivenciava a si mesma e a todos ao seu redor como perfumados com divindade. Não através de qualquer esforço, mas somente através da graça da própria Shakti, as outras pessoas também poderiam repousar novamente em sua própria essência e vivenciar isto.A questão de como uma pessoa adquire uma unidade mística com a Mãe do Universo era uma preocupação premente para Hyma, a filha de Anasuya. Hyma se angustiava porque podia ver o estado divino transbordando dos olhos da sua mãe, mas não conseguia vivenciá-lo por si própria. Embora a sua humildade e o seu serviço a tornassem estimada pelos devotos da sua mãe, muitos dos quais acrditavam que ela poderia ocupar o lugar da mãe como guia espiritual deles através do passamento de Anasuya, Hyma estava profundamente frustrada.Poderei eu, querida Mãe, algum dia alcançar esse estado no qual a minha consciência estará preenchida por voce e só por voce?" escreveu em uma carta.Muitas almas têm sentido o enorme abismo entre a sua própria experiência e a de um sábio que compreende Deus, mas a crise era intensamente acentuada Hyma, uma vez que o sábio em questão era a sua própria mãe biológica!Um devoto relembra uma conversa particularmente comovente entre Hyma e sua mãe.- Com uma mente tão instável como a minha, posso alcançar algum dia a compreensão do Eu? - perguntou Hyma.- Não sei nada sobre realização de objetivos - respondeu Anasuya.-Sim, Mãe, voce própria é o objetivo e, portanto, não precisa pensar sobre isto! Mas o resto de nós luta e encontra uma maneira de alcança-lo.-Bem, para mim, há satisfação no jogo e na travessura - sorriu Anasuya.Mas Hyma persistiu - Por favor, pare de desviar o assunto! Eu preciso de uma resposta! Nós não somos como voce. Do nosso ponto de vista, o caminho, o esforço e o objetivo espiritual são completamente reais!O combate verbal continuou, brincalhão por parte da mãe e excessivamente sério por parte da filha. Habilidosamente Anasuya se esquivou dos apelos de Hyma, mas finalmente concluiu com calma:- Não há nenhuma necessidade de dizer uma mentira. Voce irá se tornar a própria realidade. (...........)Hyma tinha vinte e cinco anos quando ficou criticamente enferma com varíola. Os amigos quiseram leva-la correndo para o hospital em Guntur, mas Anasuya fez objeção, explicando-lhes que a viagem difícil só agravaria a situação.Anasuya não foi atendida. (....) Hyma morreu poucos minutos após chegar ao hospital. No último momento de sua vida, ela falou em voz alta: - Amma (Mãe), estou chegando! A comunidade ficou extremamente abalada com a morte de Hyma. Nem mesmo Anasuya, a personificação da própria Shakti, estava isenta de uma tal trajédia pessoal? - Eu criei o punhal e, com ele, me apunhalei - replicou Anasuya, com sobriedade, como sempre identificada misticamente com a Deusa. Um santuário (mausoléu) foi preparado para Hyma. (Na India, às vezes os santos são enterrados, ao invés de cremados, para que os devotos possam continuar a vivenciar as vibrações enaltecedoras que emanam dos seus corpos mesmos após terem morrido). Anasuya preparou o corpo e o colocou na cova em siddhasana(uma postura da yoga). Enquanto toda a comunidade chorava, Anasuya parecia estranhamente alegre. Sentou-se ao lado do túmulo e sorriu para os circunstantes.-Se eu me sento assim, as pessoas podem pensar que estou transmitindo poder - brincou. Depois, fez sinal para um médico que estava próximo. Ele examinou o corpo de Hymma e ficou chocado por descobrir que estava bem quente e com um tênue vestígio de respiração. Tinha acabado de sair da cova quando o grupo que estava por perto sentiu um choque elétrico. Ele pulou de novo para dentro do túmulo e descobriu sangue exsudando da fontanela de Hyma.Nos livros sagrados da yoga está escrito que, na morte, uma fontanela aberta é um sinal de que a alma deixou o corpo através do chakra sahasrara, a "saída divina" no alto da cabeça e se libertou. - O meu trabalho está terminado - disse Anasuya, enquanto se distanciava da sepultura. Quer indicar esta página? CLIQUE AQUI AnandamayiMa - A Mãe saturada de beatitude Índice Almas Divinas Índice Filhas da Deusa
Desde os primórdios da história, mulheres notáveis como Arundhati (cerca de 4000 a.C) são saudadas pelos próprios Vedas como esposas e mães que alcançaram a compreensão do Eu enquanto limpavam suas casas e educavam suas crianças.
Um exemplo notável é Anasuya Devi, nascida em Andhra pradesh, em 1923.
Desde a mais tenra infância, as observações astutas de Anasuya sobre questões espirituais - mesmo sobre assuntos tão recônditos como a mantra shastra (a ciência dos mantras) - surpreendiam os seus parentes mais idosos; ela parecia um prodígio espiritual.
Sem ser uma asceta que renuncia ao mundo, Anasuya ficou feliz em se casar. Com dezoito anos, deixou os seus abastados pais brâmanes para seguir com o marido que eles lhe haviam escolhido, Nannagaru Rao, e alegremente começar a constituir uma família na pobre cidade de Jilellamudi, no Sul da India.
Permaneceria profundamente devotada a Nannagaru (cujo interesse pela espiritualidade era significativamente menor do que o dela) por toda a sua vida.
Anasuya tinha vinte e seis anos quando encontrou a sua "guru", Desiraju Rajamma, uma mestra tanto da filosofia vedântica quanto da prática tântrica, que morava em Bapatla. (...........)
Entretanto, durante a iniciação, Rajamma ficou tão impressionada com a profundidade da compreensão de Anasuya que pediu a um fotógrafo que tirasse uma foto das duas juntas, para que ela pudesse ter uma recordação desse primeiro encontro com a sua "discípula"!
- Que mulher notável voce é! exclamou a pretendida guru.
- Eu sou a mulher que deu voce à luz e voce é a mulher que me deu à luz - replicou Anasuya. - Quem é a mãe e quem não é a mãe? A verdadeira maternidade não consiste no simples reconhecimento da própria maternidade de alguém. A maternidade deve ser percebida em todas as coisas.
Como reconheceu Rajamma, Anasuya estava se referindo à maternidade de Deus. Meditando desde a infância, Anasuya já tinha descoberto a Mãe Universal em si mesma e em todos os seres.
Enquanto Nannagaru desempenhava suas funções de prefeito, Anasuya organizava um banco de cereais para ajudar a alimentar os pobres. No início da década de 1950, começou a se espalhar pelas aldeias da vizinhança que um "ser divino" morava em Jillellamudi, e os devotos começaram a aparecer na casa de Anasuya, que logo foi apropriadamente rebatizada de O Lar de Todos.
Inicialmente Nannagaru ficou incomodado com toda a atenção que a sua esposa estava atraindo e, em determinado momento,convocou um médico para examiná-la.
Enquanto Anasuya sentava-se sorridente à sua frente, o médico foi incapaz de localizar uma pulsação em qualquer lugar do corpo dela.
- Encontro mais yoga (união com Deus) do que roga (doença) nela - declarou o médico, com bom senso suficiente para diagnosticar sahaja samadhi (concentração meditativa profunda, enquanto se movimenta em estado de vigília).
Depois disso, Nannagaru começou a chamar Anasuya de a "Mãe de voces", em vez de a "minha esposa", quando os devotos apareciam para ve-la.
A certa altura, Anasuya notificou ao Dr. Sitachalam, de Kommur, que ela partiria em uma viagem de onze dias. Poderia ele fazer o favor de cuidar do corpo dela e garantir que ninguém o removeria? O médico estava presente quando ela "partiu". O seu batimento cardíaco e a sua respiração cessaram e o seu corpo se enrijeceu, ficando com uma palidez cinza-azulada.
No quarto dia, a sua atormentada família estava pronta para cremá-la, mas o médico insistiu ansiosamente para que adiassem.
No décimo primeiro dia, a cor voltou às suas bochechas e ela se ergueu do seu catre para reassumir os seus afazeres domésticos.
No tantra shaivite, o estado mais elevado de consciência pura e genuína (shiva, a suprema Devindade) é, simultaneamente, a consciencia/poder transbordante (Shakti, a Deusa primordial) que se manifesta como o Universo e todos os seus habitantes. Anasuya vivenciou Shakti diretamente e falou sob a perspectiva da união mística com a Mãe do Universo: (......)
"Eu não sou nada que voces não sejam. Não me parece que eu seja maior do que voces. Deus não existe em parte alguma separadamente. Todos voces são Deus."Não está correto dizer "Mãe do Universo". O universo em si é a mãe. Voces não podem abandonar nunca o meu regaço".
Anansuya não estava absolutamente interessada em ser venerada e nem em prescrever práticas espirituais a serem seguidas por seus devotos. Não havia nada que eles devessem "fazer"; deviam simplesmente "ser". Ela vivenciava a si mesma e a todos ao seu redor como perfumados com divindade. Não através de qualquer esforço, mas somente através da graça da própria Shakti, as outras pessoas também poderiam repousar novamente em sua própria essência e vivenciar isto.
A questão de como uma pessoa adquire uma unidade mística com a Mãe do Universo era uma preocupação premente para Hyma, a filha de Anasuya. Hyma se angustiava porque podia ver o estado divino transbordando dos olhos da sua mãe, mas não conseguia vivenciá-lo por si própria. Embora a sua humildade e o seu serviço a tornassem estimada pelos devotos da sua mãe, muitos dos quais acrditavam que ela poderia ocupar o lugar da mãe como guia espiritual deles através do passamento de Anasuya, Hyma estava profundamente frustrada.
Poderei eu, querida Mãe, algum dia alcançar esse estado no qual a minha consciência estará preenchida por voce e só por voce?" escreveu em uma carta.
Muitas almas têm sentido o enorme abismo entre a sua própria experiência e a de um sábio que compreende Deus, mas a crise era intensamente acentuada Hyma, uma vez que o sábio em questão era a sua própria mãe biológica!
Um devoto relembra uma conversa particularmente comovente entre Hyma e sua mãe.
- Com uma mente tão instável como a minha, posso alcançar algum dia a compreensão do Eu? - perguntou Hyma.
- Não sei nada sobre realização de objetivos - respondeu Anasuya.
-Sim, Mãe, voce própria é o objetivo e, portanto, não precisa pensar sobre isto! Mas o resto de nós luta e encontra uma maneira de alcança-lo.
-Bem, para mim, há satisfação no jogo e na travessura - sorriu Anasuya.
Mas Hyma persistiu - Por favor, pare de desviar o assunto! Eu preciso de uma resposta! Nós não somos como voce. Do nosso ponto de vista, o caminho, o esforço e o objetivo espiritual são completamente reais!
O combate verbal continuou, brincalhão por parte da mãe e excessivamente sério por parte da filha. Habilidosamente Anasuya se esquivou dos apelos de Hyma, mas finalmente concluiu com calma:
- Não há nenhuma necessidade de dizer uma mentira. Voce irá se tornar a própria realidade. (...........)
Hyma tinha vinte e cinco anos quando ficou criticamente enferma com varíola. Os amigos quiseram leva-la correndo para o hospital em Guntur, mas Anasuya fez objeção, explicando-lhes que a viagem difícil só agravaria a situação.
Anasuya não foi atendida. (....) Hyma morreu poucos minutos após chegar ao hospital.
No último momento de sua vida, ela falou em voz alta: - Amma (Mãe), estou chegando!
A comunidade ficou extremamente abalada com a morte de Hyma. Nem mesmo Anasuya, a personificação da própria Shakti, estava isenta de uma tal trajédia pessoal?
- Eu criei o punhal e, com ele, me apunhalei - replicou Anasuya, com sobriedade, como sempre identificada misticamente com a Deusa.
Um santuário (mausoléu) foi preparado para Hyma. (Na India, às vezes os santos são enterrados, ao invés de cremados, para que os devotos possam continuar a vivenciar as vibrações enaltecedoras que emanam dos seus corpos mesmos após terem morrido).
Anasuya preparou o corpo e o colocou na cova em siddhasana(uma postura da yoga). Enquanto toda a comunidade chorava, Anasuya parecia estranhamente alegre. Sentou-se ao lado do túmulo e sorriu para os circunstantes.
-Se eu me sento assim, as pessoas podem pensar que estou transmitindo poder - brincou.
Depois, fez sinal para um médico que estava próximo. Ele examinou o corpo de Hymma e ficou chocado por descobrir que estava bem quente e com um tênue vestígio de respiração. Tinha acabado de sair da cova quando o grupo que estava por perto sentiu um choque elétrico. Ele pulou de novo para dentro do túmulo e descobriu sangue exsudando da fontanela de Hyma.
Nos livros sagrados da yoga está escrito que, na morte, uma fontanela aberta é um sinal de que a alma deixou o corpo através do chakra sahasrara, a "saída divina" no alto da cabeça e se libertou.
- O meu trabalho está terminado - disse Anasuya, enquanto se distanciava da sepultura.
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