Os tres irmãos e discípulos de Paramahansa Yogananda

Daya Mata, Ananda Mata e Richard Wright

 

Do livro "Medja"

Por Sri Sananda Lal Ghosh,irmão de Paramahansa Yogananda.

 

 O senhor Richard Wright, já mencionado como companheiro de Mejda em sua viagem à Índia - e que visitava Ranchi pela primeira vez - é o irmão de Sri Sri Daya Mata (como sucessora espiritual de Paramahansa Yogananda), Daya Mata é a atual Sangamatha (Mãe da Sociedade) e presidente da Self Realization Fellowship/Yogoda Satsanga Society of Índia; discípula de Paramahansaji desde 1931). Richard levou Mejda no Ford V-8 através da Europa antes de ambos chegarem à Índia e dirigiu muito esse auto na Índia, tarefa esta que não é insignificante para ninguém, se tomarmos em consideração as estradas daquela época!

Ele assumiu também numerosos deveres para ajudar Mejda durante seu pesado programa de conferências, encontros com devotos e trabalho administrativo para a Yogoda Society. Após cada uma das conferências de Mejda, por exemplo, o senhor Wright costumava responder perguntas e anotar os nomes das pessoas interessadas em ser estudantes dos ensinamentos de Yogoda/ Self-Realization.

 

Uma vez, quando Mejda estava dando uma conferência em Madras, o senhor Wright e eu estávamos de pé, no fundo da sala. Ele estava profundamente absorto na palestra de Mejda. Então me fez esta observação em voz baixa: " Parece uma pessoa diferente quando faz palestra." Mencionou isto porque quando Mejda dissertava, irradiava uma força e uma sabedoria tremendas; em outras ocasiões, era ingênuo e alegre como um menino divino.

 O senhor Wright era extraordinário. Eu jamais havia conhecido um jovem tão tenazmente laborioso e obediente como ele. Ainda que à noite regressássemos tarde de um compromisso que nos tivesse exigido muito esforço, ou voltássemos para casa cansados, após uma extensa caminhada, ele nunca perdia a oportunidade de servir Mejda e jamais deixou de escrever em seu diário. Eu estava impressionado não apenas pelo seu consciencioso cumprimento de tudo que tivesse assumido, como também me deleitava ver que podia comer qualquer dos pratos indianos que lhe ofereciam, sem os maus efeitos que os ocidentais costumam experimentar com  as comidas muito temperadas. Nunca esteve enfermo nem indisposto.

    

O senhor Wright tinha um maravilhoso e franco sentido de humor.
Ao ver que eu dormia com uma grande almofada oblonga, como as que
freqüentemente se usam na Índia (excelente para apoiar o braço ou a perna quando se dorme de costas), me disse em tom de brincadeira:

" Pensei que escondias alguém em tua cama. Olhei dentro coberta mas a única coisa que encontrei foi uma grande almofada."

 -O senhor Wright descobriu logo que confortável era e, dali em diante, brincalhonamente, tirava-me a almofada! Desenvolvemos uma amizade com rapidez.
Um dia me senti profundamente comovido quando ele disse:
" ambos nos simpatizamos extraordinariamente."

 

 O senhor Wright era ruivo, alto e magro, muito vivaz e inteligente. Para falar a verdade, conheci bem poucos jovens tão afáveis e esmeradamente cumpridores de seu dever como ele.

 Um dia levei Mejda a Serampore e quando voltamos não encontramos o senhor Wright. Mejda perguntou onde estava e disseram que tinha ido ver um circo. Mejda pediu-me que o encontrasse e o trouxesse imediatamente para casa. Nessa ocasião havia três circos em Calcutá e quando disse a Mejda que eu não sabia em qual deles teria ido, Mejda me deu um pouco de dinheiro para que comprasse os ingressos  e me disse:
" Vai a cada um até que encontres Richard."

 Procurei cuidadosamente no primeiro circo entre a grande multidão, mas não estava ali. No seguinte o localizei rapidamente entre os espectadores que estavam nas arquibancadas. Apertei o passo até chegar a ele e lhe disse que Mejda me havia enviado para levá-lo para casa. Estou certo que ficou decepcionado pelo fato de eu tirá-lo desse espetáculo, mas obedeceu imediatamente essa ordem, sem questionar.

Quando voltou para casa, Mejda o repreendeu severamente :
" Porás a perder todo o trabalho que estou tentando fazer nesta visita à Índia se não estiver aqui quando preciso."

  Em seguida pediu ao senhor Wright que tomasse um ditado sobre alguns assuntos urgentes. Eu fui para meu quarto. Quando voltei, já muito tarde, vi que aquele jovem diligente estava ainda ocupado, escrevendo à máquina. Costumeiramente, Mejda evidenciava ter um coração de menino, derramando sobre todos doçura e bondade.
Mas, isto somente não aperfeiçoa um discípulo e, por isso, quando era necessário, Mejda também sabia como aplicar uma rígida disciplina.

 

*** O Sr. Richard. Wright é querido e reconhecido no mundo inteiro por membros e amigos da Self-Realization Fellowship, como o discípulo que ajudou Paramahansaji durante sua prolongada viagem à Índia,
em 1935-36.
Milhões de leitores da Autobiografia de um Iogue
foram inspirados pelas passagens do fascinante diário de viagem
do Sr. Wright, citadas por Paramahansaji no seu livro.

Ele conheceu o Guru em Salt Lake City, em 1931, quando sua família assistiu às palestras de Paramahansaji. Esta família singular foi destinada a representar um papel de longo alcance e insubstituível na divina missão de nosso Guru de disseminar a antiga ciência da Kriya Yoga em todo o mundo.

Além do Sr. Richard Wright e Sri Daya Mata, outra irmã, Ananda Mata, também entrou no caminho monástico e serviu por muitos anos no Conselho de Diretores da SRF/YSS. A mãe deles, Shyama Mata, que também se tornou monja, era altamente estimada por Paramahansaji, a quem ela serviu fielmente por muitos anos. O quarto filho, Dale Wright, também foi, durante a vida inteira, seguidor dos ensinamentos da SRF.

O Sr. Wright prestou enorme ajuda ao Guru nos primeiros anos. Foi um dos membros do Conselho original da SRF, quando esta foi incorporada em 1935. Antes de acompanhar o Guru à Índia, ele auxiliou Paramahansaji durante muitos anos, em suas viagens de conferências e na série de aulas que dava em todos os Estados Unidos. Também ajudou a criar a série abrangente de Lições da SRF para estudo em casa, por meio das quais os ensinamentos e as técnicas de meditação da Self-Realization têm alcançado inúmeros devotos em todo o mundo.

Em seus meses finais, o Sr. Wright estava permeado de alegria e paz divina, que elevavam a todos os que estavam a seu redor. Não muito antes do Natal, ele disse a um dos monges: “Estarei aqui para o Natal e as festividades; depois, volto para casa.”
Em 09 de janeiro de 2002, quatro dias depois da celebração espiritual
do aniversário de Paramahansaji, ele deixou o corpo e foi para a bem-aventurança e a liberdade dos domínios celestiais. ***

Texto extraído de um boletim da S.R.F


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          Daya Mata e Ananda Mata

 

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