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Venha observar-me. Vou contar-lhe o que se passa em mim. Não se
preocupe, serei breve... Só queria dizer que tenho o coração em chamas.
Se você quiser, posso compartilhá-lo. É de minha natureza a
gratuidade.
Através de sua atenção, fortaleço-me. Junto os pedaços que foram sendo amputados ao longo do tempo.
Resta-me esse coração ígneo, Quente como o hálito do verão, Suave como o entardecer.
Tenho os membros esquartejados. Vivi a desintegração. Abriguei a noite
escura. Atravessei todo o percurso entre o breu e a luz.
As palavras, como lágrimas incontroláveis. Escorrem de mim.
Elas nascem, para morrer no instante seguinte. Absorvo-as com
sofreguidão, E deixo-as impressas aqui, como quem as enxuga.
Não pretendendo a poesia, mas despertando de um sonho, Preciso
escoar.
Busco um continente que me receba. Onde eu caiba íntegra.
Unificada, Protegida das espadas e facões. ...Um solo fértil para brotar e
florescer.
Crear espaço e tempo para que eu possa pertencer, Manifestar-me de todas
as formas...Ser alimento. Atravessar a fronteira e caminhar inteiramente
livre.
(Infelizmente desconheço a autoria deste lindo poema,
que calou-me fundo desde o instante em que os olhos da alma o percorreram...)
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