Por Brother Anandamoy
Kabir, um grande santo da Índia do século XV disse: “O guru é como uma lavadeira, e o discípulos são como as roupas sujas.” Tendo tido sorte suficiente para sermos atraídos para este caminho, nós devemos praticar o que o guru nos ensinou, para que ele possa “lavar” a nossa consciência – mudar a nossa consciência das identificações mortais para à realização de Deus através da Kriya Yoga. O Guru é o representante de Deus. Ele sente pelos seus discípulos, e os conduz através da Kriya ao supremo estado de consciência. Ele tem a maior compaixão por nós.
Eu me recordo da primeira vez em que fui com um grupo de monges ao nosso retiro do deserto. Nós estávamos trabalhando no lugar onde o Mestre estava, limpando a propriedade ao redor de sua casa, tirando as pedras e desbravando o terreno. Quando eu estava trabalhando, vi junto ao caminho por onde o Mestre geralmente passava, um pequeno e feio arbusto do deserto, pensei comigo mesmo: “Este arbusto tem que sair daqui!” Peguei na minha pá de ferro e comecei a cortar o arbusto pela raiz. Estava eu cavando vigorosamente quando ouvi a voz do Mestre: “Ele está vivo ou está morto?” – Fiquei simplesmente paralisado! Percebi que sendo onisciente, ele tinha captado os meus pensamentos. Então o Mestre chegou correndo e perguntou novamente: “Ele está morto ou vivo?” – E eu respondi: “Senhor, está quase morto.” – (e estava, o pobre coitado! Mais um ou dois golpes com a pá te-lo-iam cortado completamente.) O Mestre , num gesto protetor, ergueu os braços e disse: “Você o feriu! Você o feriu e sabia que não deveria fazer isso!” Depois disso, sempre que eu ia ao deserto, fazia uma “peregrinação” a esse arbusto. Ele ainda está vivo – milagrosamente salvo pela compaixão do Mestre. Agora pensem, se ele teve tanto interesse por um arbusto horroroso do deserto, não o sentirá também por nós, seus devotos? O Guru sente pelos seus discípulos e os conduz através da Kriya ao supremo estado de consciência.
Que cada um de nós resolva praticar a essência dos ensinamentos do nosso Guru: Kriya Yoga. Permitam que a consagração deste belo e novo templo seja feita não apenas à um edifício exterior, mas que seja uma consagração interna. Através da devotada prática da Kriya Yoga, nós encheremos esta maravilhosa colméia com o mel da realização em Deus. Em 1950, no começo da primavera, eu me encontrava no deserto com o Mestre por alguns meses. De vez em quando, de relance, ele costumava me dizer: “Pratique Kriya com profunda concentração.” - Mas por esta época, eu ainda não tinha recebido a técnica e lhe perguntava: “Senhor, quando a concederá para mim?” – Ele respondia: “Em breve.” Na próxima vez em que eu o encontrava, ele me dizia novamente: “Pratique Kriya com profunda concentração.” – E eu voltava a perguntar: “Senhor, quando me concederá? “ - De novo ele replicava: “Em breve.” E eu sempre pensava: “Mas quando é que conseguirei ter essa Kriya??” Então, um dia ele me falou assim: “Lembre-se sempre, Kriya Yoga mais devoção, trabalha como matemática; não pode falhar.” - E isto é verdade! É uma ciência! Aqueles de vocês que a estão praticando, e que algumas vezes podem sentir que não estão obtendo muito com ela, continuem! Recordem isto: ela trabalha como matemática. Mas isto é um processo gradual. No começo, e ainda por algum tempo, o devoto pode não perceber o que se está passando; antes do magneto se tornar forte, nada parece estar acontecendo. Esse é o teste!
Vocês sabem que quanto maior for o fluxo de corrente através de um magneto, mais forte ele será, e mais ele poderá atrair – isto é científico. Com a continuada pratica de Kriya, mais e mais energia é retirada das percepções externas, tomando a consciência interna, o caminho em direção à percepção de Deus. Continuem, e algum dia experimentarão uma “abertura” nas vossas percepções espirituais. Esse interno despertar é mais glorioso, mais profundamente reconfortante do que as outras experiências que os sentidos, a mente ou as comuns emoções humanas podem dar. Quando tiverem isto, vocês saberão realmente que Kriya Yoga funciona. Mas este é um processo gradual; leva tempo para formar esse magneto na espinha. Para que a alma se recorde da sua identidade, ele não precisa mais do que a técnica de Kriya Yoga e a capacidade para gritar sinceramente: “Senhor, eu anseio por Te conhecer!” A ioga tem, assim, interesse universal porque permite a todos aproximar-se de Deus, pelo uso diário de um método científico, em vez de um fervor religioso que, para o homem comum, está além de seu alcance emocional..” (Paramahansa Yogananda na Autobiografia de Um Iogue.) O Mestre dizia: “Sempre que eu sentia que Deus se tinha afastado, tão depressa praticasse Kriya Yoga Ele estava comigo, precisamente nesse momento e ali!” E isso será o que cada um de nós sentirá. Na verdade, existem diferentes graus dessa conscientização. Mas uma vez que esse magneto esteja estabelecido na espinha, no momento em que praticarem Kriya, a energia e a consciência serão puxadas para dentro, dando a percepção de Deus. Então Ele não mais será um simples mito ou uma crença; vocês realmente O realizarão diretamente.
Dizia o Mestre: "Sentarem-se em silêncio e tentarem sentir devoção, pode muitas vezes não vos levar à parte alguma. É por isso que eu ensino técnicas científicas de meditação". Pratiquem-nas e serão capazes de desligar a mente das distrações sensoriais e de toda uma incessante corrente de pensamentos. Pela Kriya Yoga, a consciência funciona num plano mais alto; a devoção ao Espírito Infinito surge então espontaneamente no coração do homem.” Na noite anterior àquela em que o Mestre deixou o seu corpo, ele falou para nós monges e insistiu particularmente num ponto: “Vocês tem que cultivar o desejo por Deus" – e acrescentou: “Ninguém vos pode dar isso; vocês próprios tem de O cultivar.” A devoção comum, por si só, não é suficiente para nos conduzir à Deus – não é suficientemente pura. Mas, a devotada prática de Kriya é o grito da alma do devoto para estar unido com Deus. Sem Kriya, a mente torna-se inquieta quando nós tentamos orar; ela não pode permanecer concentrada no Divino. A Kriya trás a verdadeira devoção. Mas nós temos de praticar! O Mestre dizia: “Pratiquem a vossa Kriya Yoga e vejam o que ela faz à vossa vida...Apenas receber a iniciação não vos trará qualquer benefício. Vocês devem praticar.” Algumas pessoas lêem livros espirituais, e talvez até orem à Deus, mas esta é simplesmente uma busca externa. Meras palavras não querem dizer nada. O que conta é o trabalho de ir para dentro em direção Deus. Ele manifesta-se dentro de nós. É a razão porque os santos de todas as diferentes religiões fazem eco daquilo que santa Teresa de Ávila escreveu às suas monjas: “Minhas irmãs, se vocês querem encontrar Deus, tem de O buscar por dentro. Ele está dentro de vós.”- Ou o que santo Agostinho disse: “Eu tenho procurado Deus por toda parte, em todos os lugares. E finalmente eu percebi que Ele estava dentro, no meu interior, e que eu é que tinha estado do lado de fora.” Esse é exatamente o ponto. Normalmente a nossa consciência permanece do lado de fora, nos “instrumentos” exteriores – na parte mais baixa da mente e nos sentidos. A Kriya Yoga - o verdadeiro grito da alma pela união com Deus – é a ciência que traz a nossa consciência para dentro, para onde Deus está.
Trecho extraído de KRIYA YOGA: PORTAL PARA O INFINITO
"Quando alguém encontra seu guru deve haver devoção incondicional, porque ele é o veículo de Deus.
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