Por Brother Anandamoy

* Anandamoy foi discípulo direto de Paramahansa Yogananda, atualmente participa do Conselho Diretor da Self-Realization Fellowship e é ministro sênior do templo de Pasadena, Califórnia. É considerado como uma das principais autoridades em matéria de ciência e filosofia da yoga.*


 

Kabir, um grande santo da Índia do século XV disse: “O guru é como uma lavadeira, e o discípulos são como as roupas sujas.”

Tendo tido sorte suficiente para sermos atraídos para este caminho, nós devemos praticar o que o guru nos ensinou, para que ele possa “lavar” a nossa consciência – mudar a nossa consciência das identificações mortais para à realização de Deus através da Kriya Yoga.

O Guru é o representante de Deus. Ele sente pelos seus discípulos, e os conduz através da Kriya ao supremo estado de consciência. Ele tem a maior compaixão por nós.

Eu me recordo da primeira vez em que fui com um grupo de monges ao nosso retiro do deserto. Nós estávamos trabalhando no lugar onde o Mestre estava, limpando a propriedade ao redor de sua casa, tirando as pedras e desbravando o terreno.

Quando eu estava trabalhando, vi junto ao caminho por onde o Mestre geralmente passava, um pequeno e feio arbusto do deserto, pensei comigo mesmo: “Este arbusto tem que sair daqui!”
- Eu me lembrei, é certo, que o Mestre nunca nos permitia cortar uma árvore ou arbusto ainda com vida. Assim, eu olhei cuidadosamente para ver se ele estaria por perto. Eu sabia que o Mestre estava do lado de fora da casa com outro grupo de monges. então eu pensei: “Estou à salvo, e além do mais, eu apenas estou fazendo isso para que ele não tenha que olhar para este arbusto feio quando passar por aqui.”  

Peguei na minha pá de ferro e comecei a cortar o arbusto pela raiz. Estava eu cavando vigorosamente quando ouvi a voz do Mestre:

“Ele está vivo ou está morto?” – Fiquei simplesmente paralisado! Percebi que sendo onisciente, ele tinha captado os meus pensamentos.

Então o Mestre chegou correndo e perguntou novamente: “Ele está morto ou vivo?”

– E eu respondi: “Senhor, está quase morto.” – (e estava, o pobre coitado! Mais um ou dois golpes com a pá te-lo-iam cortado completamente.)

O Mestre , num gesto protetor, ergueu os braços e disse: “Você o feriu! Você o feriu e sabia que não deveria fazer isso!”

- Eu me senti péssimo, como se houvesse batido numa criança pequena. Mas então ele disse: “Ele viverá. Viverá agora. Mas não o fira mais.”

Depois disso, sempre que eu ia ao deserto, fazia uma “peregrinação” a esse arbusto. Ele ainda está vivo – milagrosamente salvo pela compaixão do Mestre.

Agora pensem, se ele teve tanto interesse por um arbusto horroroso do deserto, não o sentirá também por nós, seus devotos? O Guru sente pelos seus discípulos e os conduz através da Kriya ao supremo estado de consciência.

Que cada um de nós resolva praticar a essência dos ensinamentos do nosso Guru: Kriya Yoga. Permitam que a consagração deste belo e novo templo seja feita não apenas à um edifício exterior, mas que seja uma consagração interna. Através da devotada prática da Kriya Yoga, nós encheremos esta maravilhosa colméia com o mel da realização em Deus.

Em 1950, no começo da primavera, eu me encontrava no deserto com o Mestre por alguns meses. De vez em quando, de relance, ele costumava me dizer: “Pratique Kriya com profunda concentração.” - Mas por esta época, eu ainda não tinha recebido a técnica e lhe perguntava:

“Senhor, quando a concederá para mim?” – Ele respondia: “Em breve.”

Na próxima vez em que eu o encontrava, ele me dizia novamente: “Pratique Kriya com profunda concentração.” – E eu voltava a perguntar: “Senhor, quando me concederá? “ - De novo ele replicava: “Em breve.” E eu sempre pensava: “Mas quando é que conseguirei ter essa Kriya??”

Então, um dia ele me falou assim: “Lembre-se sempre, Kriya Yoga mais devoção, trabalha como matemática; não pode falhar.”

- E isto é verdade! É uma ciência! Aqueles de vocês que a estão praticando, e que algumas vezes podem sentir que não estão obtendo muito com ela, continuem! Recordem isto: ela trabalha como matemática.

Mas isto é um processo gradual. No começo, e ainda por algum tempo, o devoto pode não perceber o que se está passando; antes do magneto se tornar forte, nada parece estar acontecendo. Esse é o teste!
É durante esse período que alguns devotos podem pensar: “Afinal, não há muito valor nesta Kriya Yoga; pode ser que isto não funcione realmente.” - E alguns desistem de praticar, deixando mesmo também o próprio caminho espiritual. Outros retrocedem para práticas mais superficiais: prece comum e devoção; meditação passiva; horas de cânticos ou talvez leituras sem fim de livros espirituais que não lhes darão a realização em Deus.
Mas aqueles que continuam praticando, com fé nas palavras do Mestre, poderão finalmente descobrir que o esforço acumulado foi recompensado: o magneto espiritual interno tornou-se forte.

Vocês sabem que quanto maior for o fluxo de corrente através de um magneto, mais forte ele será, e mais ele poderá atrair – isto é científico. Com a continuada pratica de Kriya, mais e mais energia é retirada das percepções externas, tomando a consciência interna, o caminho em direção à percepção de Deus. Continuem, e algum dia experimentarão uma “abertura” nas vossas percepções espirituais.
No devido tempo, uma pessoa que tenha praticado Kriya Yoga, longa e devotadamente, começará a avançar espiritualmente muito depressa, tal como um meteorito.
Os outros podem notar nela uma sutil mudança muito atrativa. Não há nada de misterioso nisso. Esse devoto simplesmente continuou praticando Kriya regularmente, todos os dias; ele realizou o trabalho, e esse é o seu resultado natural.

Esse interno despertar é mais glorioso, mais profundamente reconfortante do que as outras experiências que os sentidos, a mente ou as comuns emoções humanas podem dar. Quando tiverem isto, vocês saberão realmente que Kriya Yoga funciona. Mas este é um processo gradual; leva tempo para formar esse magneto na espinha.

 Para que a alma se recorde da sua identidade, ele não precisa mais do que a técnica de Kriya Yoga e a capacidade para gritar sinceramente: “Senhor, eu anseio por Te conhecer!”

A ioga tem, assim, interesse universal porque permite a todos aproximar-se de Deus, pelo uso diário de um método científico, em vez de um fervor religioso que, para o homem comum, está além de seu alcance emocional..” (Paramahansa Yogananda na Autobiografia de Um Iogue.)

O Mestre dizia: “Sempre que eu sentia que Deus se tinha afastado, tão depressa praticasse Kriya Yoga Ele estava comigo, precisamente nesse momento e ali!”

E isso será o que cada um de nós sentirá. Na verdade, existem diferentes graus dessa conscientização. Mas uma vez que esse magneto esteja estabelecido na espinha, no momento em que praticarem Kriya, a energia e a consciência serão puxadas para dentro, dando a percepção de Deus.

Então Ele não mais será um simples mito ou uma crença; vocês realmente O realizarão diretamente.

Dizia o Mestre: "Sentarem-se em silêncio e tentarem sentir devoção, pode muitas vezes não vos levar à parte alguma. É por isso que eu ensino técnicas científicas de meditação".

Pratiquem-nas e serão capazes de desligar a mente das distrações sensoriais e de toda uma incessante corrente de pensamentos. Pela Kriya Yoga, a consciência funciona num plano mais alto; a devoção ao Espírito Infinito surge então espontaneamente no coração do homem.”

Na noite anterior àquela em que o Mestre deixou o seu corpo, ele falou para nós monges e insistiu particularmente num ponto: “Vocês tem que cultivar o desejo por Deus" – e acrescentou: “Ninguém vos pode dar isso; vocês próprios tem de O cultivar.”

A devoção comum, por si só, não é suficiente para nos conduzir à Deus – não é suficientemente pura. Mas, a devotada prática de Kriya é o grito da alma do devoto para estar unido com Deus. Sem Kriya, a mente torna-se inquieta quando nós tentamos orar; ela não pode permanecer concentrada no Divino. A Kriya trás a verdadeira devoção.

Mas nós temos de praticar! O Mestre dizia: “Pratiquem a vossa Kriya Yoga e vejam o que ela faz à vossa vida...Apenas receber a iniciação não vos trará qualquer benefício. Vocês devem praticar.”

Algumas pessoas lêem livros espirituais, e talvez até orem à Deus, mas esta é simplesmente uma busca externa.

Meras palavras não querem dizer nada. O que conta é o trabalho de ir para dentro em direção Deus. Ele manifesta-se dentro de nós. É a razão porque os santos de todas as diferentes religiões fazem eco daquilo que santa Teresa de Ávila escreveu às suas monjas: “Minhas irmãs, se vocês querem encontrar Deus, tem de O buscar por dentro. Ele está dentro de vós.”- Ou o que santo Agostinho disse: “Eu tenho procurado Deus por toda parte, em todos os lugares. E finalmente eu percebi que Ele estava dentro, no meu interior, e que eu é que tinha estado do lado de fora.”

Esse é exatamente o ponto. Normalmente a nossa consciência permanece do lado de fora, nos “instrumentos”  exteriores – na parte mais baixa da mente e nos sentidos.

 A Kriya Yoga - o verdadeiro grito da alma pela união com Deus – é a ciência que traz a nossa consciência para dentro, para onde Deus está.

 

Trecho extraído de KRIYA YOGA: PORTAL PARA O INFINITO

 

 

"Quando alguém encontra seu guru deve haver devoção incondicional, porque ele é o veículo de Deus.
   O único propósito do guru é conduzir o discípulo à Auto-realização; o amor que um guru recebe de um devoto é oferecido a Deus."
Paramahansa Yogananda

 

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